Que náusea de vida! Que abjecção esta regularidade! Que sono este ser assim!

Não: devagar. Devagar, porque não sei onde quero ir.
Há entre mim e os meus passos uma divergência instintiva.
Há entre quem sou e estou uma diferença de verbo
Que corresponde à realidade.
Devagar… Sim, devagar…
Quero pensar no que quer dizer
Este devagar… Talvez o mundo exterior tenha pressa demais.
Talvez a alma vulgar queira chegar mais cedo.
Talvez a impressão dos momentos seja muito próxima…
Talvez isso tudo…
Mas o que me preocupa é esta palavra devagar…
O que é que tem que ser devagar?
Se calhar é o universo…
A verdade manda Deus que se diga.
Mas ouviu alguém isso a Deus?
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You’re currently reading “Que náusea de vida! Que abjecção esta regularidade! Que sono este ser assim!,” an entry on Nenhum ser humano é capaz de esconder um segredo. Se a boca se cala, falam as pontas dos dedos…
- Published:
- Abril 19, 2008 / 12:35 am
- Category:
- Poema
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